Dossiê nº 8: Cemitérios: arte, sociedade e cultura

EM PORTUGUÊS:

REVISTA M.Dossiê 8: v. 4, n.8, jul./dez. 2019

TEMA: Cemitérios: arte, sociedade e cultura

PRAZO PARA ENVIO DE ARTIGOS: 30 de setembro de 2019

CONFIRA AS NORMAS DE PUBLICAÇÃO EM: http://www.revistam-unirio.com.br/normas-de-publicacao/

VERIFIQUE AS DIRETRIZES PARA AUTORES EM: http://www.revistam-unirio.com.br/diretrizes/

ORGANIZAÇÃO: Maria Elizia BORGES (1), Marcelina das Graças de ALMEIDA (2)

 

(1)

NOME: Maria Elizia BORGES

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Universidade Federal de Goiás/ Programa de pós-graduação em História.

ÁREA DE CONHECIMENTO: Letras e Artes

TITULAÇÃO/FORMAÇÃO ACADÊMICA MAIS RECENTE: Doutorado em artes visuais pela ECA/ USP/SP.

 

(2)

NOME: Marcelina das Graças de ALMEIDA

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Universidade do Estado de Minas Gerais/Centro Universitário Estácio Belo Horizonte

ÁREA DE CONHECIMENTO: Ciências Humanas – História

TITULAÇÃO/FORMAÇÃO ACADÊMICA MAIS RECENTE: Doutorado em História pela UFMG

 

RESUMO:

 

Os estudos cemiteriais nas últimas décadas revelaram avanço e vêem de modo progressivo, despertando o interesse de pesquisadores das mais variadas áreas de conhecimento, apontando para a relevância e ressaltando a necessidade do incremento das investigações sobre os temas que tomem os cemitérios como objeto de análise (exemplos de estudos realizados no Brasil seguem nas referências bibliográficas abaixo). A proposta desse dossiê é estimular e colocar em evidência as pesquisas e a produção acadêmica concernentes aos espaços cemiteriais, independente do período ou contexto histórico a que pertençam e independente da área de conhecimento, a fim de permitir múltiplos olhares sobre as necrópoles. É possível, por exemplo, pensar sobre os cemitérios oitocentistas, destacando sua arquitetura e ornamentação, bem como compreender como se constituíam os espaços fúnebres no período colonial e os lugares de enterramento no contexto contemporâneo. É de suma importância refletir sobre os modos de sepultamento na cultura brasileira extensiva também a toda a América Latina Ibérica, mas é igualmente necessário confrontar com outras culturas e outros tempos. O dossiê se abre para o diálogo e a compreensão sobre a organização dos lugares dos mortos e como os vivos lidam e atribuem valores culturais a esses ambientes. A produção artística funerária da América Latina teve grande influencia da cultura clássica proveniente do gosto europeu e ao mesmo tempo referenda até hoje questões da cultura popular sacra e profana. Nos cemitérios podemos perfilhar o significado histórico e cultural de uma sociedade que ali registra uma multiplicidade de identidades, de memórias e suas relações de poder e de afetividade. No Brasil, um dos pesquisadores pioneiros nesse tipo de investigação é o sociólogo Clarival do Prado Valladares (1918-1983) que, na década de 1970 publicou os dois volumes da obra seminal: “Arte e sociedade nos cemitérios brasileiros” (1972), obra que se torna mediadora e catalisadora dos estudos precedentes. Ele também foi o pioneiro em busca a arte simples em cemitérios populares da Bahia no livro “Riscadores de milagres: um estudo sobre arte genuína” (1967). Para além de propor o diálogo contemporâneo entre estudiosos e pesquisadores cemiteriais, nossa proposta incorpora uma homenagem ao estudioso Prado Valladares que, se vivo estivesse, completaria 101 anos de existência. Deste modo, em tempos de comemoração e reflexão, a ideia é colocar em debate os cemitérios como lugar de arte e cultura das sociedades nas quais se inserem.

 

EN ESPAÑOL:

 

REVISTA M. – Dossier 8: v. 4, n. 8, júl./dic. 2019

TEMÁTICA: Cementerios: arte, sociedad y cultura

FECHA LÍMITE PARA PRESENTACIÓN DE ARTÍCULOS: 30 de septiembre de 2019

CONFERID LAS “NORMAS DE PUBLICACIÓN” EN: http://www.revistam-unirio.com.br/normas-de-publicacao/

VERIFICAD LAS “DIRECTRICES PARA AUTORES” EN: http://www.revistam-unirio.com.br/diretrizes/

ORGANIZACIÓNMaria Elízia BORGES (1), Marcelina das Graças de ALMEIDA(2)

 

(1)

NOMBREMaria Elizia BORGES

VÍNCULO INSTITUCIONAL:

ÁREA DE CONOCIMIENTO DE SUS INVESTIGACIONES:

TÍTULO/FORMACIÓN ACADÉMICA MÁS RECIENTE:

 

(2)

NOMBREMarcelina das Graças de  ALMEIDA

VÍNCULO INSTITUCIONAL:

TÍTULO/FORMACIÓN ACADÉMICA MÁS RECIENTE:

ÁREA DE CONOCIMIENTO DE SUS INVESTIGACIONES:

 

RESUMEN:

Los estudios acerca de los cementerios en las últimas décadas revelaron avance y despertaron progresivamente el interés de investigadores de variadas áreas de conocimiento. Las investigaciones apuntan para la relevancia de la temática y resaltan la necesidad del incremento de los estudios sobre los temas que toman los cementerios como objeto de análisis (ejemplos de estudios realizados en Brasil siguen en las referencias bibliográficas abajo). La propuesta de este dossier es estimular y poner en evidencia las investigaciones y la producción académica concernientes a los espacios cementeriales, independientemente del período o contexto histórico a que pertenezcan e independiente del área de conocimiento, a fin de permitir múltiples miradas sobre las necrópolis. Es posible, por ejemplo, pensar sobre los cementerios del siglo XIX destacando su arquitectura y ornamentación, así como comprender cómo se constituían los espacios fúnebres en el período colonial y los lugares de enterramiento en el contexto contemporáneo. Es de suma importancia reflexionar sobre los modos de sepultura en la cultura brasileña extensiva también a toda América Latina Ibérica, pero es igualmente necesario confrontar con otras culturas y otros tiempos. El dossier se abre para el diálogo y la comprensión sobre la organización de los lugares de los muertos y cómo los vivos tratan y atribuyen valores culturales a esos ambientes. La producción artística funeraria de América Latina tuvo gran influencia de la cultura clásica proveniente del gusto europeo y al mismo tiempo refrenda hasta hoy cuestiones de la cultura popular sacra y profana. En los cementerios podemos perfilar el significado histórico y cultural de una sociedad que allí registra una multiplicidad de identidades, de memorias, de sus relaciones de poder y de afectividad. En Brasil, uno de los pioneros en este tipo de investigación fue el sociólogo Clarival del Prado Valladares (1918-1983) que en la década de 1970 publicó los dos volúmenes de la obra seminal: “Arte y sociedad en los cementerios brasileños” (1972). Obra que se vuelve mediadora y catalizadora de los estudios precedentes. También fue el pionero en la búsqueda del arte simple en cementerios populares de Bahía en el libro “Riscadores de milagros: un estudio sobre arte genuino” (1967). Además de proponer el diálogo contemporáneo entre estudiosos e investigadores de los cementerios, el dossier incorpora un homenaje al estudioso Prado Valladares que, si vivo estuviera, completaría 101 años de existencia. En tiempos de conmemoración y reflexión, la idea que proponemos es poner en debate los cementerios como lugar de arte y cultura de las sociedades en las que se insertan.

 

 

REFERENCIAS / REFERÊNCIAS:

 

ALMEIDA, Marcelina das Graças de. A cidade e o cemitério: uma experiência em educação patrimonial. Revista M. Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 217-234, jan.-jun. 2016.

______. Morte, cultura, memória. Múltiplas interseções: uma interpretação acerca dos cemitérios oitocentistas situados na cidade do Porto e Belo Horizonte. 2007. Tese (Doutorado em História) – Programa de Pós-graduação em História, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.

BATISTA, Henrique Sérgio de Araújo. Jardim regado com lágrimas de saudade: Morte e cultura visual na Venerável Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula (Século XIX). 2008. Tese (Doutorado em História Social) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008.

BELLOMO, Harry Rodrigues (Org.). Cemitérios do Rio Grande do Sul: arte, sociedade, ideologia. Porto Alegre: Ed. da PUCRS, 2000.

______. A estatuária funerária em Porto Alegre (1900-1950). 1998. Dissertação (Mestrado em História) – Programa de Pós-graduação em História, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1998.

BORGES, Maria Elizia. A arte funerária no Brasil (1890-1930) ofício de marmoristas italianos em Ribeirão Preto = Funerary art in Brazil (1890- 1930): Italian marble carver graft in Ribeirão Preto. 2. Ed.- Goiânia: Gráfica UFG, 2017.

 

________ Um olhar sobre o espaço da morte = Un regard sur l’espace de la mort. Goiânia: Gráfica UFG, 2017.

 

______; SANTOS, Alcineia Rodrigues dos; GOMES, Laryssa Tavares Silva Gomes. Estudos Cemiteriais no Brasil: catálogo de livros, teses, dissertações e artigos. Goiânia: UFG, FAV, Ciar, Funape. 2010.

CASTRO, Elisiana Trilha. Aqui também jaz um patrimônio: identidade, memória e preservação patrimonial a partir do tombamento de um cemitério (o caso do Cemitério do Imigrante de Joinville/SC, 1962-2008). 2008. Dissertação (Mestrado) – Centro Tecnológico, PGAU-CIDADE, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.

 

________ Hier Ruht in Gott: inventário de cemitérios de imigrantes alemães na região Grande Florianópolis. Blumenau: Nova Letra, 2008.

CYMBALISTA, Renato. Cidade dos vivos – arquitetura e atitudes perante a morte nos cemitérios do Estado de São Paulo. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2002.

DILLMANN, Mauro. Morte e práticas fúnebres na secularizada República: a Irmandade e o Cemitério de São Miguel e Almas de Porto Alegre na primeira metade do século XX. 2013. Tese (Doutorado em História) – Programa de Pós-graduação em História, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, 2013.

 

GODELIER, Maurice. Sobre a Morte invariantes culturais e práticas sociais. São Paulo: Edições Sesc São Paulo,2017.

GRASSI, Clarissa. Cidade dos mortos, necrópole dos vivos: a Curitiba do Cemitério Municipal São Francisco de Paula. 2016. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Programa de Pós-graduação em Sociologia, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2016.

 

GRASSI, Clarissa. Estudos cemiteriais. In: GRIECO, Bettina; TEIXEIRA, Luciano; THOMPSON, Analucia (Orgs.). Dicionário IPHAN de Patrimônio Cultural. 2. ed. rev. ampl. Rio de Janeiro, Brasília: IPHAN/DAF/Copedoc, 2016. (verbete). ISBN 978-85-7334-299-4

 

KUSHNIR, Beatriz. Baile de máscaras: mulheres judias e prostituição: as Polacas e suas Associações de Ajuda Mútua. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1996.

LIMA, Tânia Andrade. De morcegos e caveiras a cruzes e livros: a representação da morte nos cemitérios cariocas do século XIX (estudo de identidade e mobilidade sociais). Anais do Museu Paulista, São Paulo, Nova Série, v. 2, jan.-dez. 1994.

 

LOUREIRO, Maria Amélia Salgado. Origem histórica dos cemitérios. São Paulo: Secretaria de serviços e obras da Prefeitura do Município de São Paulo, 1977.

MOTTA, Antonio. À flor da pedra: formas tumulares e processos sociais nos cemitérios brasileiros. Recife: Fundação Joaquim Nabuco; Ed. Massangana, 2008.

PIOVEZAN, Adriane. Morrer na guerra: a sociedade diante da morte em combate. Curitiba: Editora CRV, 2017.

REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.

RODRIGUES, Cláudia. Nas fronteiras do além: a secularização da morte no Rio de Janeiro (séculos XVIII e XIX). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2005.

______. Lugares dos mortos na cidade dos vivos: tradições e transformações fúnebres no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1997.

RODRIGUES, Paula Andréa Caluff. Duas faces da morte: o corpo e a alma do Cemitério Nossa Senhora da Soledade, em Belém/PA. 2014. Dissertação (Mestrado em Preservação do Patrimônio Cultural) – IPHAN, Rio de Janeiro, 2014.

SANTOS, Alcineia Rodrigues dos. O processo de dessacralização da morte e a instalação de cemitérios no Seridó, séculos XIX e XX. 2011. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal de Goiás, Faculdade de História, 2011.

 

VALLADARES, Clarival do Prado. Riscadores de milagres. Um estudo sobre arte genuína. Rio de Janeiro: Superintendência de Difusão Cultural da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, 1967.

__________. Arte e sociedade nos cemitérios brasileiros. Rio de Janeiro: Conselho Federal de Cultura-MEC, 1972. 02 volumes