Dossiê nº 7: Suicídio, seus sentidos históricos-sociais e o sofrimento humano

EM PORTUGUÊS:

REVISTA M.Dossiê 7: v. 4, n. 7, jan./jun. 2019

TEMA: SUICÍDIO, SEUS SENTIDOS HISTÓRICOS-SOCIAIS E O SOFRIMENTO HUMANO.

PRAZO PARA ENVIO DE ARTIGOS: 30 de outubro de 2018

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ORGANIZAÇÃO: Fábio Henrique LOPES (1), Fernanda Cristina MARQUETTI (2)

 

(1)

NOME: Fábio Henrique LOPES

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Professor do Departamento de História e Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

ÁREA DE CONHECIMENTO: HISTÓRIA

TITULAÇÃO/FORMAÇÃO ACADÊMICA MAIS RECENTE: Pós-Doutor / Doutor / Mestre em História-UNICAMP. 

(2)

NOME: Fernanda Cristina MARQUETTI

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Professora aposentada da UNIFESP/ BS- Docente do Programa de Pós-Graduação Multidisciplinar em Saúde UNIFESP/BS.

ÁREA DE CONHECIMENTO: SAÚDE MENTAL E ANTROPOLOGIA

TITULAÇÃO/FORMAÇÃO ACADÊMICA MAIS RECENTE: Pós doutora / Doutora / Mestre em Saúde Pública-USP

 

RESUMO:

 No Brasil, desde pelo menos as duas últimas décadas, há um profícuo debate sobre o tema do suicídio. De várias áreas do saber, sobretudo das Ciências Humanas e Sociais, bem como das práticas e dos saberes Psi, surgem estudos, reflexões e ensaios que historicizam, complexificam e ampliam as possibilidades analíticas, os sentidos, representações, imagens e referências atribuídas ao ato de se dar à morte e ao sujeito que o pratica. Esta abertura teórica e metodológica nas formas de conhecimento do tema se mostra fundamental para ampliar o conhecimento. Consideramos que o evento do suicídio é produto do sofrimento humano e, intrinsicamente, articulado com sua cultura e sociedade. Nosso preceito inicial é conceber o panorama sociocultural onde os indivíduos vivem e tecem seus cotidianos, por vezes, cotidiano gerador de sofrimento e morte. Se a compreensão de um indivíduo e seus atos é desconexa de seu contexto sociocultural a apreensão do seu sofrimento remete ao bizarro, ao estranho ou a patologia. Lugar, geralmente, ocupado pelo evento suicida.

Nossa perspectiva, então, será o evento suicida e suas inter-relações simbólicas e históricas com a cultura. Portanto, concebemos o suicídio como uma forma de morte voluntária repleta de significações que revelam e complexificam as vicissitudes da vida do indivíduo. Marcar este ponto é fundamental, pois acreditamos que o ângulo pelo qual percebemos um evento determina sua compreensão.

Neste dossiê não pretendemos nos ater ao modelo biomédico hegemônico sobre o suicídio e, sim, construir nossa própria argumentação sobre este evento. Mas, devido a hegemonia deste discurso em relação ao suicídio na sociedade contemporânea é necessário delinearmos alguns pontos críticos para nortear nossa posição conceitual. Atualmente, a predominância do discurso médico sobre os eventos suicidas (e todos eventos de saúde-doença) submergiu a própria noção tão proclamada de multiplicidade e complexidade na causalidade do fenômeno do suicídio. Embora, nos manuais do OMS sempre seja citada a multicausalidade do suicídio, vemos com frequência um elemento discursivo incoerente pairando sobre esta proposição de multicausalidade, que geralmente aponta para uma evidente perspectiva reducionista. Enfim, precisamos marcar que na sociedade contemporânea o discurso psiquiátrico submergiu todas as outras formas de compreensão do sofrimento humano, e consequentemente, do suicídio.

Por outra via, temos que em pesquisas sobre suicídio e tentativas de suicídio onde os dados são coletados fora da ordem médica (etnografias nas ruas, ambientes de trabalho, entre outros) e por profissionais com outra leitura do fenômeno encontramos dados diferentes. Não necessariamente os eventos suicidas estão correlacionados ao transtorno mental e, sim, aos sofrimentos da vida como: o trabalho, relações amorosas, velhice, abandono, imposições sociais e conflitos sobre sexualidade, não pertencimento aos grupos sociais, etc.

Cabe relembrar um clássico, Durkheim (1887), de quem um dos argumentos foi afirmar a não existência de uma relação incontestável entre o doença mental e suicídio. Sua obra redimensionou a compreensão do suicídio como fenômeno histórico intrínseco às culturas, através da demonstração da ocorrência do evento de forma sistemática e típica em cada uma delas. Entretanto, nos parece, que esquecemos este ensinamento na produção de conhecimento contemporâneo.

O objetivo desse dossiê é publicar artigos que promovam e enriqueçam o debate sobre o tema. Para isso, privilegiará análises, referências, proposições, teorias e metodologias diversas.

 

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EN ESPAÑOL:

 

REVISTA M. – Dossier 7: v. 4, n. 7, ene./jun. 2019

TEMÁTICA: SUICIDIO, SUS SENTIDOS HISTÓRICOS-SOCIALES Y EL SUFRIMIENTO HUMANO.

FECHA LÍMITE PARA PRESENTACIÓN DE ARTÍCULOS: 30 de octubre de 2018

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ORGANIZACIÓNFábio Henrique LOPES (1), Fernanda Cristina MARQUETTI (2)

 

(1)

NOMBRE: Fábio Henrique LOPES

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Profesor del Departamento de Historia y Relaciones Internacionales, Programa de Postgrado en Historia de la Universidad Federal Rural de Río de Janeiro (UFRRJ).

ÁREA DE CONOCIMIENTO DE SUS INVESTIGACIONES: HISTORIA

TÍTULO/FORMACIÓN ACADÉMICA MÁS RECIENTE: Post-Doctor / Doctor / Maestro en Historia-UNICAMP. 

(2)

NOMBRE: Fernanda Cristina MARQUETTI

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Profesora jubilada de UNIFESP / BS – Docente del Programa de Postgrado Multidisciplinario en Salud UNIFESP / BS.

TÍTULO/FORMACIÓN ACADÉMICA MÁS RECIENTE: SALUD MENTAL Y ANTROPOLOGÍA.

ÁREA DE CONOCIMIENTO DE SUS INVESTIGACIONES: Post doctora / Doctora / Maestra en Salud Pública-USP

 

RESUMEN:

En Brasil, desde por lo menos las dos últimas décadas, hay un fructífero debate sobre el tema del suicidio. De varias áreas del saber, sobre todo de las Ciencias Humanas y Social, así como de las prácticas y de los saberes Psi, surgen estudios, reflexiones y ensayos que históricamente, completan y amplían las posibilidades analíticas, los sentidos, representaciones, imágenes y referencias atribuidas al acto de representación se da a la muerte y al sujeto que lo practica. Esta apertura teórica y metodológica en las formas de conocimiento del tema se muestra fundamental para ampliar el conocimiento. Consideramos que el evento del suicidio es producto del sufrimiento humano y, intrínsecamente, articulado con su cultura y sociedad. Nuestro precepto inicial es concebir el panorama sociocultural donde los individuos viven y tejen sus cotidianos, a veces, cotidiano generador de sufrimiento y muerte. Si la comprensión de un individuo y sus actos es apartada de su contexto sociocultural la aprehensión de su sufrimiento remite al extraño, al extraño o a la patología. Lugar, generalmente, ocupado por el evento suicida.

Nuestra perspectiva, entonces, será el evento suicida y sus interrelaciones simbólicas e históricas con la cultura. Por lo tanto, concebimos el suicidio como una forma de muerte voluntaria repleta de significaciones que revelan y completan las vicisitudes de la vida del individuo. Marcar este punto es fundamental, pues creemos que el ángulo por el cual percibimos un evento determina su comprensión.

En este dossier no pretendemos atenerse al modelo biomédico hegemónico sobre el suicidio y, sí, construir nuestra propia argumentación sobre este evento. Pero, debido a la hegemonía de este discurso en relación al suicidio en la sociedad contemporánea es necesario delinear algunos puntos críticos para orientar nuestra posición conceptual. Actualmente, la predominancia del discurso médico sobre los eventos suicidas (y todos los eventos de salud-enfermedad) sumergió la propia noción tan proclamada de multiplicidad y complejidad en la causalidad del fenómeno del suicidio. Aunque en los manuales de la OMS siempre se cite la multicausalidad del suicidio, vemos con frecuencia un elemento discursivo incoherente que se acerca a esta proposición de multicausalidad, que generalmente apunta a una evidente perspectiva reduccionista. En fin, necesitamos señalar que en la sociedad contemporánea el discurso psiquiátrico sumergió todas las otras formas de comprensión del sufrimiento humano, y consecuentemente del suicidio.

Por otra vía, tenemos que en investigaciones sobre suicidio e intentos de suicidio donde los datos son recogidos fuera del orden médico (etnografías en las calles, ambientes de trabajo, entre otros) y por profesionales con otra lectura del fenómeno encontramos datos diferentes. No necesariamente los eventos suicidas están correlacionados con el trastorno mental y, sí, a los sufrimientos de la vida como: el trabajo, relaciones amorosas, vejez, abandono, imposiciones sociales y conflictos sobre sexualidad, no pertenencia a los grupos sociales, etc.

Cabe recordar un clásico, Durkheim (1887), de quien uno de los argumentos fue afirmar la no existencia de una relación incontestable entre la enfermedad mental y el suicidio. Su obra redimensionó la comprensión del suicidio como un fenómeno histórico intrínseco a las culturas, a través de la demostración de la ocurrencia del evento de forma sistemática y típica en cada una de ellas. Sin embargo, nos parece, que olvidamos esta enseñanza en la producción de conocimiento contemporáneo.

El objetivo de este expediente es publicar artículos que promuevan y enriquezcan el debate sobre el tema. Para ello, privilegiará análisis, referencias, proposiciones, teorías y metodologías diversas.

 

 

REFERENCIAS / REFERÊNCIAS:

 

ARIÈS, Philippe. História da morte no Ocidente. 2a ed. Lisboa: Teorema, 1989. 191p.

DIAS, Maria Luiza. Suicídio: Testemunhos de Adeus. São Paulo: Editora Brasiliense, 1997. 280p.

DURKHEIM, Émile. O suicídio. São Paulo: Martin Claret, 2008.

GODINEAU, Dominique. S’abréger les jours. Le suicide em France au XVIIIe siècle. Paris: Armand Colin, 2012. 336p.

GUILLON, Caude & LE BONNIEC, Yves. Suicídio: Modo de usar, história, técnica e notícia. Lisboa: Ed. Antígona, 1990. 305p.

LOPES, Fábio Henrique. O suicídio como objeto de reflexão histórica: apontamentos de uma pesquisa (Rio de Janeiro, início do século XX). In: RODRIGUES, Claudia e LOPES, Fábio Henrique (orgs.). Sentidos da morte e do morrer na Ibero-América. Rio de Janeiro: EdUERJ, p. 33–56, 2014.

______. Suicídio & Saber Médico: estratégicas históricas de domínio, controle e intervenção no Brasil do século XIX. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008. 210p.

MARQUETTI, Fernanda. O suicídio como espetáculo na metrópole. São Paulo: Fap-Unifesp, 2013. 248p.

______. O suicídio e sua essência transgressora. Psicol. USP [online]. v. 25, n. 3, p. 237-245, 2014.

MINOIS, Georges. Histoire du suicide. La société occidentale face à la mort volontaire. Paris: Fayard, 1995. 421p.