Dossiê nº 6: Arqueologia funerária: perfomance, morte e corpo

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EM PORTUGUÊS:

REVISTA M. – Dossiê 6: v. 3, n. 6, jul./dez. 2018

TEMA: ARQUEOLOGIA FUNERÁRIA: PERFORMANCE, MORTE E CORPO

PRAZO PARA ENVIO DE ARTIGOS: 30 de junho de 2018 

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ORGANIZAÇÃO: Adriene Baron TACLA[1], Pedro Vieira da Silva PEIXOTO[2], Melanie GILES[3].

[1]

NOME: Adriene Baron TACLA

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Professora Associada, Instituto de História, Universidade Federal Fluminense

ÁREA DE CONHECIMENTO DE SUAS INVESTIGAÇÕES: História Antiga e Arqueologia, Pré-história europeia

TITULAÇÃO/FORMAÇÃO ACADÊMICA MAIS RECENTE: Doutorado em Arqueologia, Universidade de Oxford/ Pós-doutorado Sênior, USP, 2017-2018

[2]

NOME: Pedro Vieira da Silva PEIXOTO

VÍNCULO INSTITUCIONAL: PPGH, Instituto de História, Universidade Federal Fluminense

ÁREA DE CONHECIMENTO DE SUAS INVESTIGAÇÕES: História Antiga e Arqueologia, Pré-história europeia

TITULAÇÃO/FORMAÇÃO ACADÊMICA MAIS RECENTE: Doutor em História, Universidade Federal Fluminense 

[3]

NOME: Melanie GILES

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Professora Sênior em Arqueologia, Universidade de Manchester

ÁREA DE CONHECIMENTO DE SUAS INVESTIGAÇÕES: História Antiga e Arqueologia, Pré-história europeia

TITULAÇÃO/FORMAÇÃO ACADÊMICA MAIS RECENTE: Doutorado em Arqueologia, Universidade de Sheffield

RESUMO:

Os registros arqueológicos funerários de que dispomos para o estudo das sociedades passadas revelam, por excelência, um conjunto de práticas situacionais e ritualizadas que buscam dar conta de um problema comum a todas as sociedades humanas, independentemente de sua localização ou temporalidade: a morte.  Entender como a morte é vista e tratada por diferentes sociedades ao longo do tempo oferece-nos, portanto, um campo rico de investigação arqueológica e social. Nossa proposta aqui é de um dossiê inteiramente dedicado à arqueologia funerária a fim de traçar diálogos entre diferentes estudos de casos, com propostas e questionamentos diversos centrados em um tema comum: Performance, Morte e Corpo.

Performance e dinâmica ritual são temas caros ao debate em antropologia e arqueologia e que se tornaram alicerce dos novos estudos em arqueologia funerária. Hoje, é necessário cada vez mais pensar o conjunto de práticas funerárias em sua heterogeneidade e dinamicidade, isto é, como o resultado de ações humanas dotadas de historicidade que não apenas reproduzem valores sociais, mas que também criam, legitimam e reconfiguram noções de diferentes sociedades e, consequentemente, os lugares sociais dos indivíduos em suas comunidades (sejam eles vivos ou mortos). A importância do corpo na arqueologia tem igualmente crescido em destaque.

Vários pesquisadores têm chamado nossa atenção para a necessidade de unirmos os estudos das tumbas e do mobiliário funerário àquele dos cadáveres e ossadas (Crossland, 2010). Na academia francesa, os estudos de tafonomia dos cadáveres desenvolvidos por Duday e seus colegas desde 1978 (cf. Duday et al., 1990; Knüsel, 2014) abriram uma nova fronteira de pesquisa. Avançando na compreensão dos “gestos funerários”, eles criaram novas metodologias para analisar os vestígios bioarqueológicos, identificando a movimentação das ossadas para reconstruir as formas de enterramento e tratamento funerário. Na vertente de língua inglesa, trabalho semelhante foi desenvolvido pela arqueologia da corporificação (archaeology of embodiment). Desenvolvida a partir dos anos 80, ela é tributária tanto dos estudos bioarqueológicos quanto dos estudos de fenomenologia e de teoria da prática (cf. Shanks, 1995; Joyce, 2005; Lesure, 2005; Crossland, 2010).  Para ambas, o corpo – de modo análogo à cultura material – oferece um meio de expressão e é, em certa escala, também um artefato dotado de uma materialidade própria que constrói identidades e que é moldado a partir de experiências sociais. Para os estudos funerários a inclusão do corpo como objeto de investigação permite-nos debater não apenas como dados bioarqueológicos podem contribuir para um melhor entendimento dos mortos (por exemplo através do estudo de doenças, traumas físicos, acessos à nutrientes e alimentação, afiliações de parentesco), mas como o corpo-artefato também nos auxilia  a entender como diferentes performances e rituais fúnebres afetam o tratamento dado aos corpos dos mortos em contextos arqueológicos, a partir das posições, orientações, alinhamentos e localizações em que as ossadas foram encontradas. Além disso, nos permite observar também como um conjunto de ações e repetições diárias condicionaram e moldaram corpos antes da morte, fazendo com que diferenças hierárquicas, etárias e de gênero se tornem visíveis ou, ainda, ressaltadas em contextos fúnebres (Sofaer, 2006).

Neste sentido, organizado a partir de uma perspectiva multidisciplinar, com um diálogo entre Arqueologia, História, Antropologia e Sociologia, esse dossiê visa também criar um espaço de discussão a respeito de propostas teórico-metodológicas para o estudo da materialidade da morte. Convidamos, assim, contribuições que tratem dos temas:

  • Performance ritual;
  • Tratamentos funerários;
  • Novas abordagens teórico-metodológicas de estudos cemiteriais;
  • Relações sociais ou étnicas em estudos cemiteriais;
  • Bioarqueologia em estudos funerários;
  • Novos métodos em análise forense;
  • Novas abordagens de deposições funerárias;
  • Novos achados de escavações de conjuntos cemiteriais.

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EN ESPAÑOL:

REVISTA M. – Dossier 6: v. 3, n. 6, jul./dic. 2018

TEMÁTICA: ARQUEOLOGÍA FUNERARIA: PERFORMANCE, MUERTE Y CUERPO

FECHA LÍMITE PARA PRESENTACIÓN DE ARTÍCULOS: 30 de junio de 2018

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ORGANIZACIÓNAdriene Baron Tacla[1], Pedro Vieira da Silva Peixoto[2], Melanie Giles[3].

[1]

NOMBRE: Adriene Baron TACLA

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Profesora Asociada, Instituto de Historia, Universidad Federal Fluminense

ÁREA DE CONOCIMIENTO DE SUS INVESTIGACIONES: HISTÓRIA ANTIGA E ARQUEOLOGIA, PRÉ-HISTÓRIA EUROPEIA

TÍTULO/FORMACIÓN ACADÉMICA MÁS RECIENTE: Doctora en Arqueología, Universidad de Oxford/ Pos-doctora Senior, USP, 2017-2018. 

[2]

NOMBRE: Pedro Vieira da Silva PEIXOTO

VÍNCULO INSTITUCIONAL: PPGH, Instituto de Historia, Universidad Federal Fluminense.

TÍTULO/FORMACIÓN ACADÉMICA MÁS RECIENTE: Historia Antigua e Arqueología, Prehistoria europea

ÁREA DE CONOCIMIENTO DE SUS INVESTIGACIONES: Doctor en Historia, Universidad Federal Fluminense  

[3]

NOMBRE: Melanie GILES

VÍNCULO INSTITUCIONAL: Profesora Sénior en Arqueología, Universidad de Manchester.

TÍTULO/FORMACIÓN ACADÉMICA MÁS RECIENTE: Historia Antigua e Arqueología, Prehistoria europea

ÁREA DE CONOCIMIENTO DE SUS INVESTIGACIONES: Doctorado en Arqueología, Universidad de Sheffield

RESUMEN:

Los registros arqueológicos funerarios de que disponemos para el estudio de las sociedades pasadas revelan por excelencia un conjunto de prácticas situacionales y ritualizadas que buscan dar cuenta de un problema común a todas las sociedades humanas, independientemente de su ubicación o temporalidad: la muerte. Entender cómo la muerte es vista y tratada por diferentes sociedades a lo largo del tiempo nos ofrece, por lo tanto, un campo rico de investigación arqueológica y social. Nuestra propuesta aquí es de un expediente enteramente dedicado a la arqueología funeraria a trazar diálogos entre diferentes estudios de casos, con propuestas y cuestionamientos diversos centrados en un tema común: Performance, Muerte y Cuerpo.

Performance y dinámica ritual son temas caros al debate en antropología y arqueología y que se convirtieron en el fundamento de los nuevos estudios en arqueología funeraria. Hoy, es necesario cada vez más pensar el conjunto de prácticas funerarias en su heterogeneidad y dinamicidad, es decir, como el resultado de acciones humanas dotadas de historicidad que no sólo reproducen valores sociales, sino que también crean, legitiman y reconfiguran nociones de diferentes sociedades y, en consecuencia, los lugares sociales de los individuos en sus comunidades (ya sean vivos o muertos). La importancia del cuerpo en la arqueología también ha crecido en destaque.

Varios investigadores han llamado nuestra atención sobre la necesidad de unir los estudios de las tumbas y del mobiliario funerario a aquel de los cadáveres y osamentas (Crossland, 2010). En la academia francesa, los estudios de tafonomía de los cadáveres desarrollados por Duday y sus colegas desde 1978 (Duday et al., 1990, Knüsel, 2014) abrieron una nueva frontera de investigación. Avanzando en la comprensión de los “gestos funerarios”, ellos crearon nuevas metodologías para analizar los vestigios bioarqueológicos, identificando el movimiento de los huesos para reconstruir las formas de enterramiento y tratamiento funerario. En la vertiente de lengua inglesa, trabajo semejante fue desarrollado por la arqueología de la corporificación (archaeology of complex). En la década de los años 80, se trata de una tributación tanto de los estudios bioarqueológicos y de los estudios de fenomenología y de teoría de la práctica (véase Shanks, 1995; Joyce, 2005; Lesure, 2005; Crossland, 2010). Para ambas, el cuerpo -de modo análogo a la cultura material- ofrece un medio de expresión y es, en cierta escala, también un artefacto dotado de una materialidad propia que construye identidades y que es moldeado a partir de experiencias sociales. Para los estudios funerarios la inclusión del cuerpo como objeto de investigación nos permite debatir no sólo cómo datos bioarqueológicos pueden contribuir a un mejor entendimiento de los muertos (por ejemplo a través del estudio de enfermedades, traumas físicos, accesos a nutrientes y alimentación, afiliaciones de parentesco pero como el cuerpo-artefacto también nos auxilia a entender cómo diferentes performances y rituales fúnebres afectan el tratamiento dado a los cuerpos de los muertos en contextos arqueológicos, a partir de las posiciones, orientaciones, alineaciones y ubicaciones en que las osadas fueron encontradas. Además, nos permite observar también cómo un conjunto de acciones y repeticiones diarias condicionó y moldeó cuerpos antes de la muerte, haciendo con que diferencias jerárquicas, etarias y de género se tornen visibles o, aún, resaltadas en contextos fúnebres (Sofaer, 2006).

En este sentido, organizado a partir de una perspectiva multidisciplinaria, con un diálogo entre Arqueología, Historia, Antropología y Sociología, ese expediente pretende también crear un espacio de discusión acerca de propuestas teórico-metodológicas para el estudio de la materialidad de la muerte. Invitamos, así, contribuciones que traten de los temas:

  • Performance ritual;
  • Tratamientos funerarios;
  • Nuevos enfoques teórico-metodológicos de estudios cementerios;
  • Relaciones sociales o étnicas en estudios cementerios;
  • Bioarqueología en estudios funerarios;
  • Nuevos métodos en análisis forense;
  • ▪ Nuevos enfoques de deposiciones funerarias;
  • ▪ Nuevos hallazgos de excavaciones de conjuntos cementerios.

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IN ENGLISH:

REVISTA M. – Dossier 6: v. 3, n. 6, jul./dec. 2018

THEME: FUNERARY ARCHAEOLOGY: PERFORMANCE, DEATH AND BODY

DEADLINE: June 30th 2018

EDITORSAdriene Baron TACLA[1], Pedro Vieira da Silva PEIXOTO[2], Melanie GILES[3].

[1]

NAMEAdriene Baron TACLA

INSTITUTION AND POSITION: Associate Professor, Institute of History, Universidade Federal Fluminense

MOST RECENT ACADEMIC TITLE: DPhil in Archaeology, University of Oxford

AREA OF STUDIES: Ancient History and Archaeology, European Prehistory 

[2]

NAMEPedro Vieira da Silva PEIXOTO

INSTITUTION: Institute of History, Universidade Federal Fluminense

MOST RECENT ACADEMIC TITLE: Phd in History, Universidade Federal Fluminense

AREA OF STUDIES: Ancient History and Archaeology, European Prehistory 

[3]

NAMEMelanie GILES

INSTITUTION: Senior lecturer in Archaeology, University of Manchester

MOST RECENT ACADEMIC TITLE: PhD in Archaeology, University of Sheffield

AREA OF STUDIES: Ancient History and Archaeology, European Prehistory

ABSTRACT:

Past funerary archaeological records uncover a set of situational and ritualized practices that account for a problem common to all human societies: death. Understanding how death is seen and treated by different societies over time offers a rich field for archaeological and social research. Hence, we propose a dossier entirely dedicated to funerary archeology in order to draw up dialogues between different case studies, with various proposals and questions, centered on a common theme Performance, Death and Body.

Performance and ritual dynamics are important to the debate in Anthropology and Archaeology, and have become a cornerstone of new studies in funerary Archaeology. Today, it is increasingly necessary to consider the set of funerary practices in their heterogeneity and dynamism, i.e., as the result of human actions endowed with historicity that not only reproduce social values but also create, legitimize and reconfigure notions of different societies and, consequently, the social places of the individuals in their communities (be they alive or dead).

In archaeology, the significance of the body has grown in prominence along the years. Several researchers have drawn attention to the need to unite studies on graves and grave goods to that of corpses (Crossland, 2010). In France, the taphonomy of corpses developed by Duday and his colleagues since 1978 (Duday et al., 1990; Knüsel, 2014) have opened a new frontier of research. Advancing in the understanding of “funerary gestures”, they created new methodologies to analyse the bioarchaeological traces, identifying the movement of the bones to reconstruct the burial and funerary treatments. Amongst English-speaking scholars, similar work was developed by the ‘archaeology of embodiment’. Developed since the 1980s, it is tributary both to bioarchaeological studies and to studies of phenomenology and theory of practice (cf. Shanks, 1995; Joyce, 2005; Lesure, 2005; Crossland, 2010). For both French and English-speaking colleagues, the body – like material culture – offers a medium of expression and is, to a certain extent, also an artefact endowed with a materiality of its own that builds identities and that is shaped by social experiences. For funerary studies, the inclusion of the body as an object of investigation allows us to debate not only how bioarchaeological data can contribute to a better understanding of the dead (for example through the study of diseases, physical traumas, access to nutrients and food, kinship affiliations), but also in which manner the body-artefact can help us to comprehend the means by which different performances and funeral rituals affect the treatment given to the dead in archaeological contexts (i.e. from the positions, orientations, alignments and locations in which the bones were found). Furthermore, it helps us to understand how a series of daily actions and repetitions can condition and shape our bodies before death, making age, gender and hierarchical differences more visible, or even emphasized, in funerary contexts. (Sofaer, 2006).

In this sense, drawing up from a multidisciplinary perspective (a dialogue between Archaeology, History, Anthropology and Sociology), this dossier also aims to bring about a theoretical and methodological debate for the study of the materiality of death. We therefore invite contributions that address any of the following themes:

  • Ritual performance;
  • Funerary treatments;
  • New theoretical approaches to cemetery studies;
  • Social or ethnic relations in cemetery studies;
  • Bioarchaeology in funerary studies;
  • New methods in forensic analysis;
  • New approaches to funeral depositions;
  • New findings from excavations of ancient cemeteries.

 

REFERÊNCIAS / REFERENCES / REFERENCIAS:

CROSSLAND, Zoë. Materiality and embodiment. In: HICKS, D.; BEAUDRY, M. C. (Eds.). The Oxford Handbook of Material Culture Studies. Oxford: Oxford University Press, p. 386-405, 2010.

DUDAY, Henri et al. L’Anthropologie «de terrain»: reconnaissance et interprétation des gestes funéraires. Bulletins et Mémoires de la Société d’Anthropologie de Paris, v. 2, n. 3, p. 29-49, 1990.

JOYCE, Rosemary A. Archaeology of the body. Annu. Rev. Anthropol., v. 34, p. 139-158, 2005.

KNÜSEL, Christopher J. Crouching in fear: Terms of engagement for funerary remains Journal of Social Archaeology, v. 14, n. 1, p. 26-58, 2014.

LESURE, Richard G. Linking theory and evidence in an archaeology of human agency: Iconography, style, and theories of embodiment. Journal of Archaeological Method and Theory, v. 12, n. 3, p. 237-255, 2005.

SHANKS, Michael. Art and an Archaeology of Embodiment: some aspects of Archaic Greece. Cambridge Archaeological Journal, v. 5, n. 2, p. 207-244, 1995.

SOFAER, J.R. The body as material culture: a theoretical osteoarchaeology. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.